banner desktop banner mobile

A depressão na área médica

A depressão na área médica

A depressão na área médica, é um tema pouco discutido. 

Por isso vamos aproveitar essa campanha tão importante que é o setembro amarelo, para falar sobre a depressão em médicos e também estudantes de medicina. 

Uma vez que vemos o médico como um herói, que ele realmente é, visto que salva vidas, passamos a não enxergar nele suas fraquezas.

E assim, nos chocamos com a ideia de que esse profissional também possa precisar de ajuda. 

Continue a leitura e entenda como e porque os médicos, assim como estudantes de medicina, são tão afetados.


O que é depressão? 

Todos nós nos sentimos deprimidos ou tristes em alguns momentos da nossa vida.

E isso pode acontecer por influência de vários fatores como uma perda, dificuldades do dia a dia, baixa autoestima.

Como já dissemos, isso é comum e ocasional, e apesar de terem características da depressão, não se tratam da depressão em si.

Pode ser considerado depressão quando esse sentimento de tristeza se torna intenso e recorrente.

Tendo uma duração extensa, fazendo com que a pessoa não tenha mais uma vida normal, visto que ela vive com as limitações desses sentimentos.

A depressão é a síndrome mais comum, e está no ranking dos males que mais causam a morte, e dificilmente é diagnosticada e tratada.

O que é um grande problema, já que cerca de 10% das pessoas que são suas reféns, se suicidam.  

Alguns sintomas da depressão são: 

  • Tristeza
  • Perda de interesse por coisas que antes você gostava
  • Falta de energia 
  • Dificuldade de concentração
  • Dificuldade de tomar decisões 
  • Insônia ou sono em excesso 
  • Problemas no estômago ou na digestão 
  • Sentimento de desesperança
  • Dores 
  • Mudança no apetite, levando ao ganho ou à perda de peso 
  • Pensamentos de morte, suicídio e automutilação 
  • Tentativa de suicídio

Grupo mais afetado 

Não existe um perfil para uma pessoa que sofre do transtorno de depressão.

Afinal, os sintomas são muito abrangentes e facilmente confundidos com outros problemas clínicos, mas algumas pesquisas apontam que existem grupos alvos desse transtorno.

As pessoas mais propícias a sofrer do transtorno de depressão e ansiedade são:

  • As que passaram por choques intensos: acidentes, conflito, decepções.
  • Mulheres, elas têm uma tendência maior que os homens de desenvolver transtornos de ansiedade, depressão ou alimentares.
  • As que convivem com alguém que já sofre desse transtorno.
  • As que tem um histórico de abuso, seja físico ou emocional, durante a infância.
  • Pessoas depressivas, neuróticas ou que sofrem de doenças como a esquizofrenia.
  • As que sofrem de doenças cardiovasculares, tendo ou não sofrido um infarto.
  • Pessoas com sistema respiratório frágil, asmáticos.
  • Quem abusa de medicamentos como: anfetaminas, barbitúricos, ansiolíticos.
  •  As que consomem uma grande quantidade de álcool ou drogas.
  • Pessoas que enfrentam frequentemente situações estressantes em sua vida diária, estudos, trabalho, vida privada.
  • Estudantes de medicina. A depressão na área médica é comum pois este grupo de pessoas apresentam altos níveis de ansiedade, estresse e depressão, principalmente durante o preparo para entrar na residência médica.

Depressão em estudantes de medicina

Um estudo realizado pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, levantou dados que identificam quais são os fatores que influenciam a prevalência de transtornos como ansiedade e depressão na área médica, principalmente nos estudantes.

Alguns fatores são:

  • Elevada carga horária;
  • Grande volume de matérias;
  • Contato frequente com pacientes portadores das mais diversas doenças e prognósticos;
  • Insegurança em relação ao ingresso no mercado de trabalho;
  • Cobrança da sociedade e da instituição de ensino, além da autocobrança típica deste curso.

Os candidatos a prestar medicina, geralmente, sonham com o momento em que poderão exercer essa profissão, e passam muito tempo se preparando para se tornarem especialistas.

Em muitos casos, essas grandes expectativas podem se tornar frustrações, devido às cobranças e grandes responsabilidades que essa profissão traz. Tanto no período de graduação igualmente como na residência. 

Outro fator importante é a carga emocional que o estudante passa.

Visto que muitas vezes ele sai de casa e está longe da família, para poder realizar seu sonho de cursar medicina, ou até mesmo na fase da residência médica. 

Fora a pressão pelo alto desempenho tanto dos familiares quanto dos próprios colegas de sala, sem falar da cobrança pessoal dele. 

Todos esses são motivos que contribuem para que a depressão na área médica seja tão recorrente.

Além de desenvolverem outros transtornos como ansiedade, transtorno bipolar, problema com bebida, entre muitos outros. 


Depressão em médicos 

Segundo a revista Medicina do Conselho Federal de Medicina, de abril de 2017, “a depressão é um problema que atinge toda a sociedade e os médicos também”.

Uma pesquisa publicada pelo jornal O Globo mostrou que o médico está na quinta posição entre os grupos de profissionais que mais sofrem com depressão e transtornos mentais do comportamento.

E a revista Medicina do Conselho Federal de Medicina citou em seu artigo alguns fatores que influenciam  a prevalência de depressão e ansiedade em médicos, igualmente como estudantes de medicina, sendo elas:

  • Falta de condições de trabalho
  • Sobrecarga
  • Discrepância entre a remuneração e o esforço dispendido
  • Sentimento de injustiça e de interferência de terceiros na atuação médica

Por ser pressionado a todo tempo, devido as condições de sua profissão, o médico acaba sendo mais suscetível a esses transtornos, igualmente como a síndrome de burnout.

De acordo com dados de uma pesquisa publicada no Archives of Internal Medicine 46% dos médicos já sofreram com depressão em algum momento da carreira. 

O psiquiatra Salomão Rodrigues Filho, conselheiro federal por Goiás,  também destacou alguns estágios da doença:

“Começa por uma necessidade de afirmação, de fazer tudo sozinho, seguida por negligência com os cuidados pessoais, recusa de contatos pessoais e, por fim, depressão com riscos suicidas”.


Resistência ao buscar ajuda 

Da mesma forma como existe uma prevalência desses transtornos em médicos, igualmente como em estudantes de medicina, temos também a resistência da parte deles em buscar ajuda médica para esses problemas. 

Os mesmos estudos apontam que mesmo sofrendo com esses transtornos, apenas de 8% a 15% desses estudantes buscam ajuda psiquiátrica durante sua formação acadêmica. 

Um estudo da universidade da Pennsylvania, aponta que dos 24% dos estudantes que assumiram ter problemas depressivos, 22% foram atrás de uma ajuda médica, e as justificativas mais comuns são:

  • Falta de tempo;
  • Estigma associado à utilização de serviços de saúde mental;
  • Custos e medo das consequências em nível curricular.

O Conselheiro Federal pelo Piauí, Leonardo Sérvio Luz, disse a respeito dessa resistência: 

“No geral, o médico não gosta de pedir ajuda e tem uma tendência a automedicar-se, o que pode atrasar o diagnóstico e o tratamento. A adesão ao tratamento psiquiátrico também é ruim e é preciso que a fragilidade seja reconhecida para que haja eficácia”.


Um alerta 

Como dissemos, não existe um padrão para identificarmos pessoas com problemas de depressão, mas alguns sinais comportamentais indicam quando alguém está em sua situação limite. 

É preciso ficar alerta quando a pessoa:

  • Insinua que é um fardo para os demais e que em breve deixará de prejudicar os outros;
  • Relata que a vida não tem sentido de ser vivida e que a sua morte seria um alívio para todos;
  • Tem uma preocupação com o efeito do suicídio sobre os familiares;
  • Verbaliza uma ideação suicida, mesmo que em tons de brincadeira;
  • Diz frequentemente coisas que soam como uma despedida;
  • Apresenta pessimismo ou falta global de esperança;
  • Não consegue se recuperar após perdas ou rompimentos em relacionamentos afetivos.

Como ajudar a outros 

É importantíssimo ressaltarmos que toda pessoa com problemas de ansiedade, depressão ou algum transtorno similar, precisam da ajuda de um especialista. 

E essa ajuda não pode ser substituída por conversas com amigos ou familiares próximos.

É muito importante termos alguém próximo para conversarmos, mas não podemos substituir a ajuda de um profissional por isso. 

Mas, todos nós podemos fazer nossa parte para ajudar quem demonstra sofrer desses transtornos, algumas formas simples de ajudar são: 

 1 – Ouça e acolha

É muito importante ouvir com atenção o que a pessoa tem a dizer, essa é uma das melhores formas de ajudá-la.

Demonstre que se importa de verdade, olhe nos olhos, e demonstre empatia e evite julgamentos. 

2 – Incentive-o a procurar ajuda profissional

Mesmo que suas intenções sejam as mais puras, elas não podem substituir o tratamento profissional nesses casos. 

Muitas vezes a pessoa se recusa a buscar ajuda e julga precisar apenas “desabafar” e não de uma ajuda profissional.

Mesmo assim, você deve incentivá-lo a buscar ajuda de um profissional. 

3 – Incentive-o a evitar o consumo de álcool e drogas

Álcool e drogas são válvulas de escape comuns para quem tem depressão.

Mas, o uso dessas substâncias são extremamente perigosas, e vão piorar o quadro de quem sofre algum transtorno psíquico.

Ajude essa pessoa a se manter longe dessas substâncias.

4 – Sugira a prática de esportes

A atividade física é de grande ajuda para quem está em depressão.

Junto a outros métodos de tratamento, pode melhorar tanto o humor quanto a qualidade de vida. 

5 – Incentive a socialização

Não permita que essa pessoa se isole, o que é uma tendência desse transtorno.

Incentive ela a socializar e interagir com outras pessoas. 

6 – Reforce a necessidade de um tratamento

A depressão não é um transtorno simples, que pode ser superada sem ajuda. Mas é completamente tratável.

Seu papel será não deixá-la esquecer que o tratamento é a única solução para esse transtorno. 

7 – Não menospreze comentários suicidas

Muitas pessoas acreditam que pessoas que desejam se matar, não ficam comentando sobre esse assunto, e entende esses comentários como brincadeira ou uma tentativa de ganhar atenção.

O que não é verdade, por isso, precisamos ficar atentos a esses comentários e reforçar para essa pessoa como ela é importante.


Para concluirmos 

Dessa forma podemos concluir que apesar dos médicos serem nossos super heróis, eles também são seres humanos e precisam de cuidados.

Médicos estão constantemente expostos a condições desgastantes, tanto físicas como também emocionais.

E por esse motivo aproveitamos a campanha setembro amarelo para abordar o tema da depressão na medicina.

A campanha setembro amarelo ganha uma visão maior durante esse mês, mas a campanha pela vida se estende por todo o ano.

Se identificar alguns desses sintomas, não demore para buscar ajuda.

Você pode entrar em contato facilmente com um CVV (centro de valorização da vida) gratuitamente a qualquer hora pelo telefone 188. 

E lembre-se, você é nosso herói, mas também é  um ser humano!

Por fim, um forte abraço e até a próxima.

Nos siga na sua redes social favorita e receba sempre novidades e dicas super importantes: Facebook, Instagram, Youtube, Twitter, Linkedin, Pinterest, Telegram


Outros conteúdos que você pode se interessar: 

Conteúdos relevantes

Deixe um comentário

Dar nossa contribuição para a carreira médica é o melhor jeito de contribuir com a evolução da saúde no país. Junte-se a mais de 35 mil médicos e receba dicas e conteúdo exclusivo.

RECEBA GRÁTIS CONTEÚDOS EM SEU E-MAIL