Brasil é a nova potência do surfe: veja os números da hegemonia na WSL

Brasil é a nova potência do surfe: veja os números da hegemonia na WSL

Esqueça o estereótipo antigo. Se antes o Brasil era definido apenas pelas chuteiras, hoje as pranchas definem nossa identidade esportiva global. World Surf League, a controladora máxima do surfe profissional, confirmou em junho de 2026 que o país não só é sua maior potência competitiva como também seu epicentro financeiro. A virada de chave foi liderada por Ivan Martinho, presidente da WSL para a América Latina, que transformou o escritório local em uma máquina de negócios.

O cenário mudou drasticamente desde que a liga abriu filial no país em 2017. Agora, o Brasil responde por 43% de toda a audiência global das transmissões ao vivo da liga. Não são apenas números bonitos; é dinheiro real circulando nas areias do Rio de Janeiro.

A economia das ondas: R$ 7 bilhões em jogo

Aqui está o dado que realmente impressiona: enquanto o futebol brasileiro representa menos de 2% da movimentação global do esporte (cerca de US$ 500 bilhões), o surfe nacional domina o mercado. Segundo análise da SportsValue publicada em março de 2023, a indústria do surfe no Brasil movimenta mais de R$ 7 bilhões anuais — ou US$ 1,4 bilhão.

Isso significa que o Brasil detém mais de 30% do faturamento global da modalidade. O motor dessa engrenagem é o Vivo Rio ProSaquarema. Um relatório recente da consultoria EY revelou que a edição de 2025 do evento gerou R$ 179 milhões e atraiu quase meio milhão de pessoas à cidade costeira. É um impacto turístico e econômico que rivaliza com grandes eventos musicais.

O crescimento da base de fãs acompanha a receita. Em 2013, apenas 23% dos brasileiros se declaravam fãs de surfe. Em 2022, esse número saltou para 41%, representando cerca de 45,3 milhões de pessoas. Se incluirmos quem se identifica com o estilo de vida surfista, o universo pode ultrapassar 54 milhões de cidadãos.

Fim da hegemonia australiana e americana

Por décadas, o mundo do surfe profissional foi um clube exclusivo de americanos e australianos. Entre 1976 e 2013, eles venceram 36 dos 38 campeonatos mundiais realizados. Mas algo mudou no mar após 2014.

Os brasileiros quebraram essa barreira histórica. Desde então, surfistas nacionais venceram oito edições do Championship Tour. Das dez últimas temporadas, seis foram conquistadas por atletas brasileiros. A mudança não foi gradual; foi uma avalanche. "A julgar pela quantidade de títulos mundiais, o Brasil, na verdade, é o país do surfe", resumiu a revista Exame em junho de 2026.

Em maio deste ano, ocorreu um feito inédito: pela primeira vez na história, o Brasil liderou simultaneamente os rankings masculino e feminino da WSL. Isso demonstra profundidade no elenco, não apenas talento isolado.

Os reis das ondas brasileiras

Não seria possível falar dessa hegemonia sem citar os nomes que colocaram o Brasil no mapa. Gabriel Medina, conhecido como "Medinho", foi crucial para popularizar o esporte entre o grande público, especialmente após suas vitórias recentes. Ao lado dele, Ítalo Ferreira e Adriano de Souza construíram uma geração de supercampeões.

Mas há dois nomes que destacam-se no momento atual. Filipe Toledo, apelidado de "Filipinho" e "Rei do Rio", já é bicampeão mundial e tetra campeão nas etapas realizadas no Brasil (2015, 2018, 2019 e 2022). Ele busca superar o recorde histórico de Dave Macaulay, o maior vencedor em território nacional.

Yago Dora, atual campeão do mundo, consolidou seu status ao vencer a etapa brasileira de 2026 em Saquarema, derrotando o italiano Leonardo Fioravanti na final. Com essa vitória, Dora garantiu o bicampeonato no Rio de Janeiro e reforçou a narrativa de que o melhor surfista do planeta veste a camisa verde-amarela.

Saquarema: O Maracanã do Surfe

Saquarema: O Maracanã do Surfe

O município de Saquarema, no litoral fluminense, tornou-se o palco central dessa história. Celebrando 50 anos de festivais de surfe em 2025, a cidade ganhou o título de "Maracanã do Surfe". Durante a etapa do Vivo Rio Pro, realizada entre 19 e 27 de junho de 2026, a atmosfera lembra uma Copa do Mundo. Multidões lotam as praias, torcendo com intensidade que poucos outros esportes conseguem gerar fora dos estádios.

A combinação de condições oceânicas previsíveis, infraestrutura turística e paixão local fez de Saquarema um ativo estratégico insubstituível para a WSL. É lá que a liga testa novos formatos de transmissão e engajamento digital, sabendo que quase metade do mundo conectado assiste às competições através das telas brasileiras.

O que vem por aí?

A tendência é de consolidação. Com cinco dos seis melhores surfistas do ranking mundial sendo brasileiros em meados de 2026, a próxima geração já treina sob a sombra desses gigantes. A WSL planeja expandir ainda mais a presença digital no país, aproveitando a alta taxa de engajamento nas redes sociais.

Para os investidores e marcas, o sinal é claro: apostar no surfe brasileiro é apostar em um mercado maduro, lucrativo e culturalmente dominante. O país deixou de ser apenas um fornecedor de talentos para se tornar o cérebro financeiro e emocional do esporte.

Perguntas Frequentes

Quanto dinheiro o surfe movimenta no Brasil?

Segundo dados da SportsValue, a indústria do surfe no Brasil movimenta mais de R$ 7 bilhões (US$ 1,4 bilhão) anualmente. Apenas o evento Vivo Rio Pro em Saquarema gerou R$ 179 milhões em uma única edição recente, demonstrando o alto potencial econômico da modalidade.

Quem é o atual campeão mundial de surfe?

O atual campeão mundial é o brasileiro Yago Dora. Ele venceu a etapa final em Fiji em 2025 e reforçou seu domínio ao conquistar a etapa brasileira em Saquarema em junho de 2026, derrotando o italiano Leonardo Fioravanti.

Por que o Brasil é considerado a maior potência da WSL?

O Brasil combina liderança competitiva e financeira. Atletas brasileiros venceram 6 dos últimos 10 campeonatos mundiais. Além disso, o país concentra 43% da audiência global de transmissões ao vivo da liga e representa 30% da movimentação econômica global do surfe.

Qual a importância de Saquarema para o surfe?

Saquarema, no Rio de Janeiro, sediou o Vivo Rio Pro, uma das etapas mais importantes do calendário da WSL. A cidade recebe cerca de 50 mil espectadores presenciais e atrai quase meio milhão de visitantes durante o evento, funcionando como o principal polo comercial e midiático do surfe no país.

Quantos brasileiros gostam de surfe?

Pesquisas indicam que 41% dos brasileiros se consideram fãs de surfe, o que equivale a aproximadamente 45,3 milhões de pessoas. Se incluirmos aqueles que se identificam com o estilo de vida relacionado à praia e às ondas, esse número pode ultrapassar 54 milhões.